Por João Perassolo

Fotografo neons há um ano. Suas formas luminosas e coloridas me fascinam porque são, a um só tempo, pequenos objetos de arte e serviços informativos. É verdade que eles fazem muito mais sentido à noite – de dia, seu brilho e incandescência quase se apagam. Em São Paulo, estão na maior parte das vezes associados à vida noturna barata de sex shops e meretrícios; em Paris e Copenhague estão por todas as partes: restaurantes, farmácias, lojas, bares, como se fossem guias no escuro.

“Contudo, a noite detém poderes inegáveis. Ela carrega em sua sombra o sobrenatural. É lógico o temor que a noite causa aos homens, ao fazê-los encarar de perto o avassalador nada e preenchê-lo com os recantos mais escuros de suas próprias almas. O homem criou a cidade para afastar a noite. Uns cem anos depois, a cidade, com seus neons, postes de luz a cada esquina e lanchonetes 24 horas, armou uma conspiração que cria o simulacro do dia. Tudo para nos fazer esquecer que existe a noite.” Antônio Xerxenesky, no livro “Areia nos Dentes”



